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Rosana Kali


Morava num quarto dourado
Uma mulher de cabelos dourados
De um vestido dourado
De olhos cruelmente dourados
E num branco rosto destacavam-se bochechas rosadas

E naquele quarto
Era aquela mulher
Que por fim poderia dizer que ali tudo era límpido
Mas que tudo era opaco
Que tudo era sem cor
Mesmo que meus olhos se ofuscassem diante de tanto brilho

Pois que ela era outra
Pois que era diferente de mim
Pois que era bela e pouco lúcida
Todavia não era louca
Era apenas luzidia em excesso
E eu lúcida e apagada
Ao seu lado, ainda mais apagada

Queria ver se pegava um brilho emprestado
Mas como se ao seu lado
Até as paredes de ouro do aposento eram mitigadas

Eu, pobremente, teria que partir sempre de cabeça baixa
Teria que chegar sempre falando baixinho
Pedindo timidamente licença para entrar
Cuidando do barulho dos meus passos no chão
Concordando sempre com um movimento de cabeça

Ela tinha os braços finos
Os olhos finos
As sobrancelhas finas
O nariz fino
E uma finíssima boca
Finíssimos lábios vermelhos
As unhas cumpridas e finas
Os cabelos finos e cumpridos
As mãos magras transparecendo finos fios azuis

Era reta
Mas seu olhar era redondo
Seu andar era redondo
Seu gesticular era redondo
Seu falar era redondo
Quase mole
Porém convicto

Toda ela repleta de ironia
Eu toda perplexa de agonia
Tentava disfarçar contando quadrados no piso

Não pensava em beijo quando ela pôs a língua em mim
E ela passeou sua finíssima língua em minha boca
Imaginei que sua língua poderia alcançar minha garganta
Sua língua translacionava a minha

Eu não pude pensar muitas coisas
Mas tive um leve intuito que adequado seria sair dali
Que o calor me faria derreter em pouco tempo
Que o correto era ir embora
Que o certo era procurar saída
Desembramar nossas línguas

Porém quanto mais eu tentava fugir
Mais sua língua parecia fazer aspirais na minha
E eu enroscada mal podia mover-me
E aos poucos eu derretia
Eu quase virava líquido
Meu corpo no chão caía
Sentia-me quase desmaiada
De tudo no mundo eu só queria um copo d’água

Então ela me abraçou com cuidado
Depois virou o rosto como quem volta de uma viagem perdida
Proferiu palavras frias
Expirou um hálito gelado
E eu bruscamente senti, e até vi, uma atmosfera azul

Neste momento minha voz saiu inteira
Eu disse a ela que não voltaria
Ela disse-me que nunca mais voltasse




Escrito por Rosana kali às 21h13
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Noite sórdida
Meu corpo um esqueleto sem rumo
Aqueles algodões de pedra
Eram teus dedos na minha face


Escrito por Rosana kali às 01h09
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Entre o jogo de aparências
E a essência
Há uma triste ausência

Sempre procurei o ponto escuro no claro
As sombras das minhas sombras

Um dia apontei para uma direção
E você fixou seu olhar em outra
Eu abaixei a cabeça
E você riu baixinho de mim

Mas seu sorriso é como eco no oco
E eu sou tão outro que sou um pouco mais que pouco

Tenho fantasmas que me acompanharão para sempre
Tenho irmãos que traduzem minha voz

Tem becos que são esconderijos
Tem becos que são perdição

O beco da tua boca é o meu beco sem saída
A beira do teu corpo é a beira da loucura em mim


Escrito por Rosana kali às 01h04
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Guarde para mim alguns segundos
Guarde para mim
Como numa caixa
Alguns olhares primeiros

Depois eu perguntarei
Será que parte de mim partirá?
Será que outra parte poderá ficar indefinidamente?
Não quero ter que contar sorrisos
Nem a quantidade de lágrimas derramadas

De Rosana quero apenas a Rosa
Com cores e com espinhos
De você quero a eternidade


Escrito por Rosana kali às 00h57
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Fossem apenas os cigarros esfumaçando a sala
Mas toda uma atmosfera de nada
De fumaça molhada

Também os beijos cuspidos
As palavras atiradas
O oco nos ouvidos
O eco repetindo silêncio
As flores dormindo
Os fantasmas passando
Pálpebras caídas feito pétalas no chão
Sentir desfalecer na noite uma ânsia
Uma angústia de anos

O piso grudando a sujeira de todo este tempo
Todas as mentiras grudadas
Estampadas na parede
Como quadros
Como pinturas de belas paisagens
E eu refletindo as probabilidades das possibilidades
Pensando que o mundo não acaba aqui dentro das paredes


Escrito por Rosana kali às 00h52
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Lírios e delírios possuem curvas
São ásperas
São quase asfalto

Teus dentes mordem sem piedade ou carinho
Os lírios que brotam dos meus delírios
Então nasce o abismo dentro do sonho
Os morcegos voam
Procuram casas abandonadas para abrigo
E a minha escuridão é muito propícia
Logo irão chupar todo meu sangue
Terei então cores desbotadas
E minha pele será tão branca quanto as flores da insanidade
Eu o morcego
Eu as asas cortadas
Eu de cabeça para baixo
Dando-me ao luxo de ter pêlos negros e pele branca

Sorrisos aos poucos se apagam
Depois de você
Agora eu mesma me arranho
Meus dentes mordem a própria ferida
Engolindo as dores cuspidas no ar
Pois o vento leva em buracos
O afeto e o feto dos sonhos


Escrito por Rosana kali às 00h40
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Percebo que o que você queria dizer
Apenas flutuou
Vagou mole no seu olhar
Boiava no verde circular da íris
Então todas as suas palavras se cobriam com manto de escuridão
Todas as suas frases mergulhavam em nuvens negras
E toda a sua expressão ficava ali
Parada por detrás do seu rosto
Como se tudo não importasse nada
E o céu para você
Não passasse de um pedaço de gelo seco
Esfumaçando tudo que se aproxima


Escrito por Rosana kali às 00h26
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O silêncio é mais do que flecha
O silêncio dispara devaneios de dor
E em nuvens de sombras paredes
Prende-se firme angústia sórdida

O escuro foi trovão de insuportável brilho prateado
Onde meu rosto aparecia em relâmpagos e ruídos
Até cair no vácuo pela milésima vez

Incandescente todos os belos dias de tua companhia
Com teus sorrisos de pálida manhã
Vendo crianças brincarem no parque
O parque vazio de imensidão
E nossos gostos se perdendo na boca
Porque em nós tudo se perde

Mesmo meu azul olhar
É somente espectro negro de um provável futuro
E um improvável passado

Sussurro flores de lírios nos nossos delírios
Tentando vasculhar nossos antepassados dentro de mim
Só que derreto em luz de abismo
Sou queimada até o mais concreto da alma
Sucumbem todas as ínfimas certezas do pensamento lógico

Nunca teremos outra chance
É preciso morrer agora
Os ossos reclamam descanso e ressurreição
E a ressurreição é um respirar afóbico
Um cansaço de vida mal começada
Um luxo para o espírito mal acabado

Vidros quebram-se como espelhos
Espelhos quebram-se como pessoas
E a última nota de uma sonata
Será sempre a nota da dissolução
Talvez um pouco de insistência
E sempre a dissolução

Para que lembrar do sabor do prazer?
A lembrança é só o invólucro do precioso intacto absurdo mofo de carícias

Estive muito ao teu lado
Isto é quase nada
Aspiral rápida de êxtase
E sossego desesperado de nódoa escorrendo da língua sem beijos que acalme

Sempre encontrei lugares incomuns para o prazer
E alguns lugares óbvios para lágrimas
Meus olhos desperdiçam-se em olhos avessos e desinteressados.



Escrito por Rosana kali às 21h32
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Enquanto houver cigarros

Não saio desta mesa

Posso suportar toda a estupidez

Desta conversa digna de ratos

Destes assuntos dignos de macacos

Destes diálogos dignos de baratas

Falar sobre bucetas e caralhos

Tomar cerveja gelada

Esperando um orgasmo quente

Nesta conversa digníssima de humanos

 

Os espíritos estão bem miúdos

E meus olhos são míopes

Tenho que chegar muito próxima e ver com o tato

Mas tenho nojo

Tampo o nariz para não vomitar

Cheiro de urina na calçada e nos corpos

 

Vai chover

As nuvens pesam sobre nossas cabeças

Mas enquanto houver cigarros

Não desisto da noite

 

Princesas tediosas desfilam suas decadências

O céu vazio de estrelas

Solto um bocado de fumaça em resposta a esta atmosfera de névoa

 

Alguém resolve perguntar meu signo

Digo que sou de câncer

Dizem que ando para trás

Digo que se continuo assim

Vou chegar tão atrás mesmo

Que descobrirei o segredo primordial

Antes do pecado original

E talvez tenha outras respostas além da fumaça

 

Minha decência rasga como papel

Ao menos ainda tenho cigarros

Posso ficar alguns minutos esquecida de alma

Agüento até três horas sem alma

Depois fico mais seis

Até que me acostumo

E fico nesta ausência anímica por semanas

Por meses

 

Porém é inevitável que na sombra de um extenso dia

Eu caia despencando comigo todas as flores do abismo

 

Logo volto para os assuntos triviais

Pensando nos caminhos de Orfeu no inferno

E bebendo num copo coletivo cheio de baba

 

Tento não acabar com o assunto

Pergunto o signo dela

E ela me diz

Sou ariana

E isto me trás muitas coisas em mente

Fico imaginando os exércitos de Lúcifer

Enquanto ela descreve todas as características do signo de Áries.  

 

 



Escrito por Rosana kali às 21h02
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Beijei todas as bocas,

Vomitei todos os beijos,

Sintam raiva, ódio e pena de mim!

 

Estive em tantos prédios,

Perdida por entre esplêndidas arquiteturas,

Tantos andares,

Tudo tão alto e imenso,

Arranha-céus que arranhavam infernos,

Edifícios cheios de instalações artísticas,

Arte contemporânea

Pairando sobre o nada!

 

Tropecei em objetos inidentificáveis,

Desci rolando pela escadaria,

Sangrei cheia de humilhação e vergonha,

Corri escorrendo sangue,

Tampei meu rosto com a mão e não queria encarar teus olhos

Para não sentir nos teus olhos a minha dor,

Para não chorar nos teus olhos a minha lágrima,

Quase quis guardar comigo a tua boca,

Esqueci que tudo que é doce me causa ânsia,

Esqueci que não presto,

Que sou um trapo,

Que sequer sirvo para limpar pratos!

 

Pois eu esmago todas as flores com meus pés,

Mas o teu cheiro,

Para mim,

É melhor do que o cheiro de qualquer flor,

Tua saliva tem mais embriaguez,

Do que qualquer vinho!

 

Às vezes me questiono,

Se um dia você visse,

Assim como quem avista de longe

E força os olhos para ver melhor,

Meu corpo caído,

Estirado em pedras de textura áspera

E inteiro picado por insetos e répteis venenosos,

Você viria chupar o veneno das minhas feridas,

Mesmo sabendo que seria tarde,

Mesmo sabendo que eu estaria quase morta ou mesmo morta

Você chuparia o sangue contaminado e morno do meu corpo?

 

Eu tenho mil caminhos e mil passos em cada caminho,

Eu tenho mil formas e mil cores distintas,

Eu tenho mil mentiras para contar

E mil verdades para esconder,

Mas esta noite eu só queria ser neutra!

Esta noite eu gostaria de ser tua

Sem nenhuma culpa,

Sem nenhuma obrigação,

Sem nenhum acordo,

Sem nenhuma condição possível,

Sem nenhuma palavra,

Sem nenhum espaço para dizer sim ou não!

 

No entanto você despencou quando eu disse Amor

E eu te segurei,

Mas segurava apenas a tua sombra,

Eu agarrada, abraçada apenas a tua sombra,

Tive que lamber a parede,

Tive que lamber o asfalto,

Tentando alcançar teus lábios!

 

Eu tentei dar meu coração a ti

E você dispensou

Como quem dispensa um prato de comida numa festa!

Então, dê-me ao menos uma faca prontamente afiada,

Cortarei meu coração em fatias para servi-lo aos cachorros da rua,

Minha carne e meus sentimentos aos cachorros,

Ao nobre paladar dos vira-latas

Que saberão sentir melhor que ti.

 

   

 



Escrito por Rosana kali às 12h40
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Entre o Eu, o Espelho, as Máscaras e as Semelhanças

  

                     Irmã                                                                  Irmã                                                             Irmã                      

  

Eu                                            Eu                                                    Eu

Eu



Escrito por Rosana kali às 20h39
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Dentro de extenso estreito



Devagar empurro meus sonhos para o interior de um escuro porão,

Apenas passos compassados em desordem pela ordem do caos

Nos braços não ficam ternura nem sequer um instinto selvagem,
Está tudo deslizando lento pelo abismo

Chega-me a madrugada,
Vem com seus olhos leves como a neve
Vem branca nas sombras de olhos quase lúgubres

Ou então, terei ainda um encontro com o sol,
O sol tão soturno de tardes cheias de tristezas,
A tristeza que escorre mole do rosto

E de quando em quando
Talvez só de vez em quando
Ouço de uma voz silente
Que não somos mais que o oposto do arco-íris
Opacos e de ilusões perdidas

Não adianta
Era sempre noite quando as pálpebras tomavam a difícil decisão de acordar
Abrir o espaço em estreitos
Furar poros de solidão pelo corpo nu

É que aquele dia
Como todos tantos
Eram somente lábios em açucarados lamentos grosseiros
Exalados horrorosamente nos ventos passantes de tortas paisagens

Algumas viagens não voltam
A não ser para dizer:
Tão distante aquele próximo

Percebo o quão nada era o que eu dizia em coloridos versos
O desfalecimento do hálito em palavras que agora já sumiram

De tudo fica o hábito da mágoa
O estranho hábito que floresce aqui em nossas visões
Sempre enxaguadas
Sempre encharcadas
Com amarelos girassóis murchos
Feito os auto-retratos de Van Gogh

Vejo chegar ao cume aquilo que não tem altura
Então chega ao resto o que sobrou do resto
E nós, como peças de um brinquedo,
Estaremos jogados arbitrariamente no chão.




Escrito por Rosana kali às 16h21
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Um poema silencioso para dizer


Está tomando conta de mim,
Agora eu já poderia engolir teus glóbulos vermelhos
Mas isto seria como uma fruta sem sabor

Uma mulher no canto dizia:
Ficarei calada
E eu ouvia repetidamente a mesma frase:
Ficarei calada

Às vezes era sempre tarde,
Tudo era quase passado,
Havia pessoas,
E havia a solidão que come a gente

Então, só poderia gritar meu silêncio de lírios,
Meu silêncio de perfume e dor,
Porém a dor tem o cheiro da ânsia,
A garganta fechada,
A garganta estufada,
Como um vazo cheio de flores
Como uma garrafa entupida,
Ou, a garganta engarrafada

Como aqueles dias que não tem fim
E isto todo mundo sabe,
Todo mundo deve saber o que é um dia sem fim
E a gente olha e não vê ninguém,
Então a gente olha de novo e repara,
A gente olha e vê o nosso próprio fantasma de braços abertos
Pronto para nos acolher
E isto tudo no fim de um dia sem fim
Quando as lágrimas escorrem sem fim
E quando acabam
É mais sem fim ainda
E quando acabam
Voltam ainda
Para acariciar o rosto
Para colorir de vermelho o pálido branco dos olhos

Queria fechar as janelas
Mas terei que abri-las e deixar que o vento...
Ah! Como está ventando lá fora
E como passam pessoas que nem conheço

Posso me encolher tanto
E mesmo assim não desaparecer

Percebo que os espíritos voam
E brincam, brincam e voam
E as minhas pequeninas asas
São mesmo gigantes

É que outro dia,
Eu sei,
Outro dia será sempre outro,
Mas há dias que são sempre os mesmos.
Outro dia eu pensava diferente,
Outro dia eu rabiscava nuvens,
Outro dia eu pulava amarelinha em abismos
E era divertido cair tanto no céu como no inferno desenhado com giz
Outro dia eu simplesmente amava
E ficava me enroscando em fios de Ariadne
E, ao mesmo tempo, em fios de algodão.

Hoje,
Hoje sou quase a mesma,
Hoje sou exatamente a mesma,
Mesmo que ninguém queira assim,
Mesmo que ninguém goste,
Sou meus passos e a marca de meus passos na estrada,
E as marcas de meus passos não se apagam,
Estão sempre em mim.


Escrito por Rosana kali às 15h40
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A fresta

A festa

Os convidados

Talvez esperarão para sempre

Nunca chegarei lá

A não ser como um fantasma

Para com a minha ausência fingir uma presença

Para com minha presença disfarçar uma ausência

 

 

Esses versos que falo no seu ouvido

São suspiros e gemidos

Meu coração escorrendo na saliva

 

 

Se pronunciar mentiras

É para você não se constranger com a verdade

Mas ao menos por alguns segundos

Terei que ser líquido

E inundar o seu corpo do meu raso desejo

Meu pequeno desejo feito gigante

 

Depois desaparecer

Esquecer o tempo nas nuvens

E devagar me deixar enlouquecer

Como se isso fosse a paz

 

 



Escrito por Rosana kali às 20h44
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Buraco Do Inconsciente

Fitei a noite

Deslizei na noite

Compreendi que apenas no escuro

Eu podia enxergar claro

E ver minha figura por trás das figuras

Os seres do inconsciente

Que me arrastam no buraco de mim

Dentro do buraco da noite

Então, mergulhei no abismo

Para salvar meu corpo da minha alma fugidia

Salvar minha alma que pretendia fugir do corpo.

 



Escrito por Rosana kali às 09h54
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